A Irmã Tereza acorda às quatro da manhã há mais de trinta anos. Acende o forno, faz o pão, e às seis já tá no ponto dela no centro vendendo.
É desse pão que sai a comida e o sustento de um abrigo cheio de idosos que a família largou e nunca mais voltou. Ela sabe o nome de cada um, dá o banho, põe pra dormir.
Faz uns seis meses apareceu um caroço no pescoço dela. Pequeno, no meio da correria, ela deixou pra lá. Só que ele foi crescendo.
Quando ela finalmente foi ver o que era, ela descobriu: é uma condição rara, só sai com operação, e o valor tava muito além do que ela podia pagar.
No máximo quatro meses pra operar.
Três meses já passaram. Sobrou apenas um.
Os idosos do abrigo veem o caroço, e a Irmã Tereza conta uma versão mais leve: diz que é bobagem, que o doutor resolve. Não tem coragem de plantar neles o medo de serem largados de novo.
A Tereza passou a vida segurando a mão de quem precisava dela. Agora é ela que precisa que alguém segure a dela.
O botão aqui embaixo é onde esse último mês ainda pode virar.